LITERATURA VIRTU@L

Monday, May 08, 2006

IMPRESSIONISMO (O Ateneu - Raul Pompéia)

Enquanto o simbolista tendia para a subjetividade, à intuição, o realista se preocupava com a realidade, a objetividade; da junção destas técnicas surgiu uma nova estética, que foi sem dúvida nenhuma, responsável direta da transição para o Modernismo. É o Impressionismo, onde os escritores manifestam as impressões que a realidade lhes causa.
A realidade a que os impressionistas se referem têm características realistas, indo em direção a objetividade, porém a impressão que os escritores têm dessa realidade é subjetiva, sendo muitas vezes guiados pela intuição, características do simbolismo. Isto tudo fez com que o Impressionismo tivesse caráter conflitante e ambíguo.
A principal manifestação do Impressionismo foi o revigoramento do nacionalismo, na busca dos aspectos regionais no conto e no romance, tornando-se um pré-modernista. O termo Impressionismo veio da pintura, onde designa o movimento artístico da segunda metade do século XIX, originado na França por Monet, Renoir, dentre outros, o qual se baseava no fenômeno da percepção. Para eles, não era fundamental representar o objeto com detalhes e minúcias, mas sim, reter as impressões imediatas que o objeto causasse na sua alma. O quadro que desencadeou o movimento foi Impresssion, de Monet.
O Impressionismo se caracterizou por ser um estilo fundamentalmente sensorial, no qual a natureza não era vista de forma objetiva e sim, interpretada (o que valia era a verdade do artista). Nele houve a valorização do anacoluto, da metáfora, da comparação e o uso de formas verbais como o gerúndio, o imperfeito do indicativo, o infinitivo precedido pelo "a", e outras, dando a idéia de continuidade da ação (aspecto permansivo). Como o Impressionismo não foi propriamente uma escola, mas sim uma atitude na expressão, suas manifestações surgiram em diversas épocas e, no Brasil, podem ser notadas suas características na obra de autores como: Raul Pompéia (Naturalismo); Euclides da Cunha e Graça Aranha (Pré-Modernismo); e Guimarães Rosa (Modernismo).

Raul Pompéia – O Ateneu
Aproxima-se de Machado de Assis quanto ao caráter memorialista da obra, à finura da observação moral e o pessimismo. Seu estilo é nervoso, com grande carga passional, através de metáforas exageradas, criando verdadeiras caricaturas.
Com o subtítulo “Crônicas de Saudades”, reconstrói, através da memória, a vida de um internato. Sérgio, personagem-narrador, é o próprio Raul Pompéia, que se vinga do colégio, a quem atribuía a responsabilidade pelas deformações de sua personalidade.
A sondagem psicanalítica revela em várias passagens do romance o complexo de Édipo: no afeto do menino Sérgio por D. Ema, mulher de Aristarco, diretor do Ateneu, execrado como pai-tirano; no jogo masculino/feminino;
no homossexualismo, que caracterizam as relações entre os alunos em plena crise de puberdade.
“Vais encontrar o mundo”, disse-me meu pai à porta do Ateneu, “Coragem para a luta”. Começa aí a ruptura com a vida familiar, definida como aconchego placentário, estufa de carinho. O Ateneu é o microcosmo em que se projetam todas as mazelas do mundo. O incêndio do internato significa a recusa selvagem daquela vida adulta que começa no colégio interno, e é a vingança final de Raul Pompéia-Sérgio contra o Ateneu.
O móvel das ações de Aristarco é o dinheiro, e a crítica ao sistema educacional é severa.
Não é possível resumir o romance porque não há propriamente um enredo, mas uma sucessão de episódios
da vida do internato que vão sendo expostos pelo personagem-narrador Sérgio, como “manchas de recordação”.
A classificação de O Ateneu é problemática. Há elementos realistas, naturalistas, impressionistas, expressionistas e simbolistas.
A linguagem tem grande poder de caricatura, o vocabulário é de muita riqueza plástica e sonora: “As mangueiras, como intermináveis serpentes, insinuavam-se pelo chão.”, “As crianças, seguindo em grupos atropelados, como carneiros para a matança.”
Raul Pompéia, aos onze anos, foi matriculado no Colégio do Abílio, recriado artisticamente em O Ateneu. Formou-se em direito. Foi abolicionista, republicano e florianista.
Temperamento hipersensível, com traços homossexuais, suicidou-se com 32 anos de idade.No campo político-social, ampliando o universo, o"Ateneu" pode ser visto como representação da Monarquia e, "Aristarco", como a personificação do governo, sua moral falida como a própria Monarquia decadente. De acordo com esta leitura, o incêndio do colégio representaria a queda da Monarquia.Também são muitas as citações à majestade de "Aristarco", começando por seu nome (áristos = "ótimo"; arqué = "governo"; portanto, o governo dos bons, ou ainda, o bom governo) e passando por seu comportamento.

3 Comments:

  • Achei o texto bastante claro e objetivo. Parabéns.

    By Blogger Eloisy, at 6:13 AM  

  • This comment has been removed by the author.

    By Blogger Eloisy, at 6:13 AM  

  • estou pesquisando essa lições obrigado pelo blog

    By Blogger batista, at 3:01 PM  

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