LITERATURA VIRTU@L

Monday, May 08, 2006

HUMANISMO

Os últimos séculos medievais foram marcados por crises em todos os aspectos da vida social. Forma-se uma nova concepção de mundo, um novo sentimento de ser humano. O Feudalismo entra em decadência, esgotado por guerras constantes que, aliadas às epidemias, fazem escassear a mão-de-obra rural e a produção agrícola. O poder político se concentra mais nas mãos dos reis, cuja autoridade, até então, se restringia aos limites dos feudos reais.
Fortalecidas, as monarquias afirmavam sua independência em relação à Igreja e já não aceitavam tanto sua intromissão nos assuntos de Estado.
Por outro lado, já desde o século XI a atividade mercantil se reativara e, em torno dela, a cidade, a vida urbana e um novo grupo social: artesãos e burgueses se ocupavam mais com os lucros da vida terrena do que com a recompensa da vida eterna
Nesta nova classe intermediária haviam setores hierarquizados: o patrão e o obreiro, os mestres e os aprendizes. Os mais ricos almejam o prestígio da nobreza, os mais pobres lutam por seus salários. Emerge como novo indicativo de riqueza e poder, ao lado da terra, o dinheiro.
O conhecimento circulava mais agilmente pela cidade; a invenção da Imprensa (Gutemberg - 1450), vem dinamizar definitivamente este processo, tirando da Igreja a posse do acervo cultural: as obras podiam ser reproduzidas em menor tempo e maior quantidade, propiciando a formação de bibliotecas fora dos mosteiros.
Embora o padrão cultural e intelectual ainda seja aquele sinalizado pela nobreza e pelos setores eclesiásticos, é a classe média quem financia a cultura e a vida urbana que fornece seus temas.
Assim, a conformação psicológica do burguês, mais centrada na observação e no raciocínio, assume um papel importante na produção cultural. O "conhecer pela observação" substitui gradativamente o "conhecer pela fé".
Deus lentamente desloca-se do centro da atenção do homem, que começa a prestar atenção em si mesmo. É o movimento humanista que prepara uma definitiva transformação na concepção do mundo: o antropocentrismo que se concretizará nos séculos seguintes.
Esses novos valores, assumidos pelo homem a partir do século XIV, deixarão sua marca na produção artística: na pintura, a figura humana ganha forma, expressão e proporção; a música torna-se polifônica, a arquitetura gótica agoniza. A Literatura oscila entre a preservação de antigos valores e a preparação de um novo homem. Na Literatura Portuguesa o início desse período é marcado pela nomeação de Fernão Lopes como cronista da corte portuguesa e o final com a obra teatral de Gil Vicente. Nestes dois autores percebe-se uma concepção cristã da vida: o primeiro tentando dirigir espiritualmente a aristocracia, o segundo, se apoiando em valores cristãos e medievais. Mas a obra de ambos é mais ampla do que isto.

0 Comments:

Post a Comment

<< Home